quinta-feira, junho 20, 2024
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Excesso de exposição às telas durante pandemia pode agravar melasma

O isolamento social necessário para o controle da pandemia do novo coronavírus trouxe uma preocupação para os dermatologistas. Além de relaxarem com os cuidados diários da pele, as pessoas estão se expondo mais às telas do celular, do computador e da tv. Isso têm agravado casos de melasma – manchas escuras, amarronzadas e acastanhadas – aparentes principalmente na região da face.

 

De acordo com a dermatologista Luciana Saraiva, de Belo Horizonte, a pandemia não só agravou os casos de malasma como também fez surgir uma maior incidência da doença. “Acredito que tenha um fator emocional importante, de estresse e ansiedade, mas também de exposição excessiva à luz azul, que é a emitida pelos aparelhos eletrônicos. Outro ponto de agravamento está relacionado à exposição aos raios solares, pois as pessoas que tiveram mais tempo de ficar fora do ambiente de trabalho ficaram mais expostas à claridade. Somado a isso, há uma certa displicência das pessoas com a rotina de skincare (cuidados com a pele), uma vez que o rosto tem ficado coberto por máscaras e os eventos sociais ficaram restritos”, comenta a médica.

 

Prevenção e tratamento – Ao identificar as manchas, é importante tomar cuidados preventivos e realizar o tratamento adequado de clareamento. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas hoje é possível lançar mão de alguns aparelhos que auxiliam a identificar a profundidade do melasma para orientar os melhores procedimentos.

 

Um dos grandes avanços relacionados ao diagnóstico e tratamento, por exemplo, é o componente vascular envolvido no melasma. “É como se os vasos sanguíneos proliferados no local continuassem alimentando essa mancha com ainda mais pigmento, gerando uma resposta mais inflamatória. Controlar o aparecimento dos vasos é uma estratégia muito importante para ter um resultado mais efetivo sobre a pigmentação acastanhada”, explica Luciana.

 

O tratamento deve individualizado e depende de cada caso. “Se for um paciente que nunca tratou, é bom que sejam usadas alternativas menos agressivas porque a pessoa pode responder bem só com a adoção de bons hábitos, uso diário do filtro solar e um clareador mais leve. Em casos mais dramáticos ou pacientes que já se submeteram a vários tratamentos, porém, talvez seja necessário recorrer a mais recursos e tecnologia”, orienta.

 

Existe hoje uma grande diversidade de produtos e ativos com a função de despigmentar a pele. Luciana aponta, contudo, que o mais importante é a combinação de um desses ativos com um bom protetor solar e a reaplicação do protetor várias vezes ao longo do dia. “Hoje nós temos muitas alternativas. A antiga hidroquinona ainda é um dos pilares do tratamento do melasma, com resultados muito efetivos, mas há várias outras opções. Cabe ao dermatologista orientar o paciente sobre o melhor ativo, o tempo de prescrição, a concentração e o modo de retirada da pele, seja fazendo diminuição do número de vezes em que ele é utilizado, seja mesclando com outros ativos que podem ser usados por mais tempo sem risco para a pele”.

 

Somente como referência, a médica aponta um leque imenso de ativos clareadores, como o butylresorcinol, o ácido tranexâmico, a niacinamida, o ácido kójico, o ácido retinóico, entre outros. “Tudo isso pode ser usado de acordo com a característica de cada pele, com bons resultados, e se mostram efetivos principalmente quando combinados com outros. Dependendo do caso, a gente consegue acrescentar na formulação de forma a prolongar o tempo de uso dos produtos sem risco para a pele e sem incidência grande de rebote das manchas”, aponta Luciana.

 

Há, também, um composto específico (Zeaxantina e Luteína) para proteger contra a luz de telas. Essas substâncias também são encontradas em alguns alimentos como a laranja, o mamão, o pêssego, o brócolis, o repolho, a couve-flor, a ervilha, o milho, a rúcula, o espinafre, a abóbora, a gema de ovo, entre outros. Elas têm função antioxidante, que protege as células sadias do organismo contra a ação dos radicais livres. A zeaxantina é um fotoprotetor superior durante a exposição à luz prolongada e a luteína pode prevenir doenças oculares.

 

“Toda vez que você foca em promover saúde para a pele do paciente, melhorando a qualidade dos fibroblastos e buscando reverter o envelhecimento, você consegue uma resposta também em cima das manchas, sem necessariamente atuar diretamente sobre elas. Muitas coisas estão sendo estudadas em relação a isso”, destaca a dermatologista.

 

Por fim, a dica da médica para quem tem melasma é: encontrar um bom protetor, que não incomode, que não faça você sentir uma textura oleosa ou ardência, e que você sinta prazer em utilizar para que você possa se comprometer verdadeiramente em aplica-lo. “É possível conseguir um controle das manchas. Evite fatores de piora, como sol e calor. Reduza a luz das telas. Não use produtos que irritem a pele. E faça uso de antioxidantes orais sob orientação médica. Cada vez mais, sabemos que os ativos utilizados via oral são fundamentais na manutenção do controle do melasma”, conclui.

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