quinta-feira, junho 20, 2024
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Os riscos das notícias falsas sobre saúde

 

A propagação de notícias falsas na saúde ganhou ainda mais amplitude com a pandemia da Covid-19, seja ela por indicações de procedimentos milagrosos para eliminar a doença, pela promoção de medicamentos sem eficácia comprovada, ou por recomendações de comportamentos que são mais prejudiciais do que benéficos. Isso é preocupante porque pode comprometer diretamente a vida das pessoas.

A comunidade de mobilização on-line Avaaz selecionou 9 afirmações sobre o novo coronavírus e as apresentou aos entrevistados, sendo que duas estavam corretas e sete continham conteúdos falsos. A pesquisa revela que 94% dos brasileiros entrevistados tiveram acesso a pelo menos uma notícia falsa sobre o novo coronavírus.

 

O levantamento mostra um outro dado preocupante: sete em cada 10 brasileiros acreditaram em pelo menos um conteúdo falso sobre a pandemia. O WhatsApp aparece como a principal rede social na distribuição de fake news. Especificamente nessa rede, 59% das pessoas viram, no mínimo, uma declaração enganosa sobre a doença.

 

É notório que em situações de medo e incerteza, as pessoas, fragilizadas pelo contexto, tendem a acreditar em conteúdo que ofereça conforto, segurança, sentimento de alívio e de esperança. Todavia, os efeitos de tais notícias – sem comprovação científica – podem levar a escolhas e decisões nocivas à saúde, com danos graves ou, até mesmo, irreversíveis.

 

Em anos passados, por exemplo, foram disseminadas informações de que vacinas contra sarampo, febre amarela, poliomielite e gripe continham composições químicas prejudiciais, causando danos à saúde de quem era vacinado. Em função disso, os órgãos públicos responsáveis pela área de saúde relataram considerável diminuição no número de pessoas imunizadas, situação perigosa em épocas de surtos e epidemias.

 

O combate às fake news na saúde é um grande desafio que a sociedade tem pela frente. Lutar contra essa “pandemia de mentiras” passa a ser um dever de cada pessoa. Começa por cuidados simples, como checar o endereço de uma página na internet, antes de compartilhar uma notícia. Outros dados a serem conferidos são a reputação do veículo, a citação de dados científicos e a data de publicação.

 

Há ainda a opção de averiguar se a notícia é idônea, pelo canal do Ministério da Saúde, criado em 2018. Nele, pode-se enviar mensagens com o conteúdo recebido ao número disponibilizado pelo órgão, que irá verificar se a informação é verdadeira ou não. Simples procedimentos como esses já contribuem para reduzir significativamente a disseminação de fake news.

 

Outra estratégia para garantir a confiabilidade da notícia é acessar os meios digitais de médicos especializados. Sites, blogs ou redes sociais dos profissionais contêm dados cientificamente validados pela comunidade médica e são fontes sérias e fidedignas. Em caso de dúvidas, a pessoa pode, ainda, entrar em contato com o profissional e esclarecer incertezas, com a garantia de que a informação vem de origem crível.

 

Como a saúde tem sido, sem dúvida, uma das áreas que mais sofrem com fake news, principalmente neste período de pandemia, torna-se fundamental conferir a veracidade da informação antes de compartilhar. Do contrário, a pessoa estará ajudando a causar dúvidas e conflitos e gerando ansiedade e medo nas pessoas. Todos temos direito a escolhas e opiniões, mas é imprescindível que isto se faça com base em fontes confiáveis.
* Raphael Trotta é médico oftalmologista e CEO do iMedicina

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