quarta-feira, junho 19, 2024
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Maternidade tardia: dificuldades e avanços da medicina reprodutiva

 

A mulher do século XXI exerce um papel de independência e força na sociedade, conciliando a carreira com a vida social e, muitas vezes, acabando por adiar o sonho da maternidade. A pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2017”, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em 2018, revelou uma redução no número de filhos com mulheres optando por serem mães cada vez mais tarde.

 

O levantamento ainda apontou que o número de mulheres que se tornaram mães com idade inferior aos 30 anos caiu de 74,3% para 64,9%, entre 2016 e 2017 e, aquelas que se tornaram mães com idade entre 30 e 39 anos subiu de 23,4% para 32,2%. As mulheres com 40 anos ou mais cresceram no percentual de maternidade de 2,2% para 2,9%, no mesmo período.

 

O adiamento da gravidez para depois dos 38 anos pode acarretar mais dificuldade, não só para engravidar, devido a queda da fertilidade feminina após essa idade, mas também para a saúde da mulher e do bebê, pois a mulher fica mais propensa a desenvolver, por exemplo, diabetes gestacional, hipertensão arterial – também conhecido como pré-eclâmpsia, dentre outros problemas. Já, o bebê possui mais chances de desenvolver alterações cromossômicas. A adoção de hábitos saudáveis da mãe apresenta grande influência na saúde de ambos.

É possível afirmar também que para situações em que a mulher decide ser mãe tardiamente, a combinação da determinação com a medicina, a tecnologia e tratamentos personalizados é fundamental para garantir o sonho de ser mãe e, geralmente, muitas mulheres só percebem essa dificuldade após meses de tentativa sem sucesso, sendo necessária uma análise completa para encaminhamento da paciente a um dos diversos tratamentos.

 

O avanço da tecnologia na medicina propicia o surgimento de novas técnicas para manter a esperança de cada vez mais casais engravidarem, mesmo em idade mais avançada do ponto de vista biológico, reduzindo os imprevistos que podem surgir na gravidez após os 38 anos. Dentre eles, a criopreservação dos óvulos, em que os gametas femininos são congelados -196ºC e que possui em média 95% de sucesso e a criopreservação do tecido ovariano, em que parte de um ovário – ou até mesmo um inteiro – é retirado, para congelamento. Quando descongelado, pode-se utilizar a maturação in vitro dos folículos ou o autotransplante.

 

As mulheres que apresentam aborto espontâneo de repetição – mais de três abortos – os exames genéticos são os mais indicados, como a Histero-embrioscopia e o PGD, que esclarece os diversos casos de abortamento e faz um estudo genético sobre a qualidade dos óvulos colhidos, respectivamente.

A influência da idade na gestação é grande, mas a evolução da medicina reprodutiva gera esperança. Contudo, não se pode afirmar quando acontecerá a gravidez. Os casais devem aprender a conviver com a ansiedade. É preciso muita informação para garantir tranquilidade. Quanto mais informação, maior tranquilidade. A disponibilidade médica gera maior segurança. Temos que ser honestos e realistas, apresentando opções para avaliação e tomada de decisão com segurança e conhecimento sobre o processo.

 


* Marco Melo é especialista em reprodução assistida e diretor da Clínica Vilara

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