quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Fim do contador de “likes” e saúde mental

Na última semana, os usuários do instagram no Brasil se assustaram ao acessar a rede e encontrar a ocultação dos números de curtidas em fotos e visualizações de vídeos. A mudança desagradou influenciadores digitais e empresas, mas a plataforma garantiu que a medida foi pensando na saúde mental dos usuários.
A associação de um aplicativo à saúde mental pode parecer fakenews para alguns, porém, é a mais pura verdade: redes sociais são mais viciantes que álcool e cigarro. Uma pesquisa da instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, revelou que o instagram é a rede social mais prejudicial à mente dos usuários.

Os resultados concluem que 90% das pessoas, entre 14 e 24 anos, usam redes sociais, sendo maior que qualquer outra faixa etária. A ansiedade e a depressão dessa parcela da população aumentaram 70% nos últimos 25 anos. Os jovens avaliados estão deprimidos, ansiosos, sem sono e com baixa autoestima.
Durante a pesquisa, os 1.479 participantes, entre 14 e 24 anos, ranquearam o quanto as principais redes – Youtube, Instagram, Twitter e Snapchat – interferiam nos sentimentos de comunidade, ansiedade, bem-estar e solidão. Os pesquisadores identificaram que o compartilhamento de fotos pelo instagram impacta negativamente o sono, a autoimagem e o medo de perderem algum acontecimento. Os usuários avaliados afirmaram que o site menos nocivo é o YouTube, seguido do Twitter, Facebook e Snapchat.
Os resultados podem ser explicados a partir dos padrões e expectativas irreais que os usuários dessas plataformas desenvolvem em função de um estilo de vida “perfeito”, compartilhado por outros membros. A ansiedade acaba sendo um produto do perfeccionismo, somado à baixa autoestima.
O conteúdo exposto nos perfis, muitas vezes, é sintoma de uma insatisfação pessoal, ou seja, os cliques que captaram os melhores ângulos, poses, roupas ou experiências podem não representar o que realmente a pessoa vive. As redes sociais não criam uma condição e podem potencializar o que já existe no indivíduo.

Algumas dicas são importantes sobre o mau uso das redes sociais. Primeiro, observar quanto tempo as redes tomam no dia e qual o impacto – na vida pessoal e profissional. Os amigos e familiares que emitem alertas sobre mexer no celular em excesso também é um indicativo.

Vale observar que, se há alteração de humor antes e depois de entrar em uma das plataformas e, se sim, geram bem-estar ou angústia? Para evitar comparações com usuários e suas “vidas perfeitas”, basta ter em mente que os conteúdos expostos são, apenas, um recorte e uma edição da vida, não representam, portanto, a realidade toda.

Também é importante não se expor excessivamente, evitando comentários e opiniões desnecessárias e evitando discussões. Os usuários devem manter uma vida mais saudável, alimentação balanceada, sono regular e prática de exercícios físicos, prevenindo uma série de doenças, inclusive, depressão. Afinal, quer um like melhor que estar em paz e harmonia consigo mesmo?

* Ângela Mathylde, psicopedagoga e especialista em neuroaprendizagem

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