quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Descoberta de reinfecção reduz esperança de acabar com a covid-19

Nesta segunda-feira (24/8), foi confirmado o primeiro caso no mundo de reinfecção por covid-19. A descoberta foi feita quando os pesquisadores testaram uma nova linhagem do vírus em um paciente de 33 anos, que estava voltando de uma viagem à Espanha. O paciente havia apresentado sintomas leves da doença na primeira infecção, já na segunda o mesmo se apresentou assintomático.
Esta descoberta muda o cenário atual de combate à covid-19, uma vez que torna remota a possibilidade de acabar de vez com o novo coronavírus. Afinal, o SARS-COV-2 pode apresentar pequenas mutações genéticas e foi comprovado agora que essa ligeira alteração pode infectar novamente um mesmo paciente.
Por outro lado, abre-se a possibilidade de que sucessivas mutações do novo coronavírus gerem vírus menos letais, mais atenuados, conforme explica a diretora técnica do Laboratório Lustosa, a médica patologista clínica Luisane Vieira. Segundo a especialista, outra possibilidade é que uma pessoa infectada desenvolva algum tipo de imunidade e que as reinfecções, se ocorrerem, sejam mais brandas.
“O primeiro impacto mais importante é o alerta para quem teve covid-19 continuar se cuidando, uma vez que precisamos ainda saber se as reinfecções serão graves ou não. O outro impacto é para os profissionais de saúde, que precisarão ficar atentos a essa possibilidade”, avalia Luisane.
Esse tipo de mutação genética no vírus já é bastante conhecida com a Influenza – motivo pelo qual é necessário vacinar-se contra a gripe uma vez por ano. Em maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já havia sinalizado a possibilidade de que o novo coronavírus se tornasse endêmico, ou seja, passasse a ser encontrado permanentemente em uma determinada área ou população.
Segundo Luisane, o perigo maior em casos de reinfecção pelo paciente ser assintomático é que ele poderá contaminar outras pessoas que ainda não apresentaram a doença, aumentando assim sua propagação. “Isso indica que está cedo demais para as medidas de segurança serem deixadas de lado. Quem já teve a doença pode não estar imune para sempre, mesmo com a existência de uma vacina”, reforça.
“A grande questão agora é saber se as vacinas irão oferecer proteção e por quanto tempo. Se essa perda da imunidade, que aconteceu com o paciente de Hong Kong, poderá acontecer também nas pessoas vacinadas. Ou seja, com a possibilidade de reinfecção pela doença, há o risco de as vacinas terem efetividade temporária. Mas ainda é cedo para qualquer conclusão a respeito” destaca a médica.
Luisane ressalta, ainda, que não é possível prever os impactos sociais causados por uma reinfecção da doença, baseado em um único relato. “É preciso saber se a infecção é rara ou não e em quais pessoas ou situações pode acontecer. Temos mais de 24 milhões de casos de covid-19 e apenas alguns poucos relatos de suspeita de reinfecção e esse único caso comprovado. Nesse momento, é preciso ter cautela e continuar investindo na capacidade da ciência de gerar os novos conhecimentos que podem nos levar além da pandemia, para uma situação na qual vamos conviver com o novo coronavírus em níveis toleráveis”, finaliza.

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