segunda-feira, maio 27, 2024
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Alimentação nos 1.000 primeiros dias de vida é decisiva

 

A alimentação é um dos principais fatores que interfere na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Por isso, é preciso se atentar à alimentação da criança especialmente até os dois anos de idade, pois esses primeiros 1.000 dias são essenciais para o futuro dela. Essa fase é chamada de “janela de oportunidade”, justamente porque pode mudar radicalmente o destino de uma criança, não apenas em termos biológicos (crescimento e desenvolvimento), mas também nos aspectos social e intelectual.

De acordo com o obstetra fundador do Instituto Nascer, Hemmerson Magioni, a maior parte do desenvolvimento do cérebro acontece antes que a criança atinja dois anos de vida. “Em um curto período de 33 meses, elas desenvolvem suas habilidades de pensar e falar, aprender e raciocinar, e lançam os alicerces para seus valores e comportamentos sociais quando adultos”, explica o médico.

Diversos estudos apontam para a relação direta entre a alimentação materna e as alterações em características do DNA do feto, tornando-o mais propenso a desenvolver alguma doença. A alimentação e nutrição da mãe no período da gestação, e do pai no período da pré-gestação, são fatores que podem interferir em até 80% do potencial de saúde de um indivíduo.

Uma dieta rica em açúcares e gorduras saturadas no período intrauterino aumenta o risco de doenças inflamatórias na criança que está sendo gerada. Entre elas, podemos citar as diversas alergias e intolerâncias, além de diabetes e hipertensão.

A nutricionista Caroline Fernandes, também do Instituto Nascer, ressalta que, por meio do líquido amniótico, o bebê já começa a sentir o sabor dos alimentos e a desenvolver suas preferências e predisposições alimentares. Portanto, é hora de cuidar da formação do paladar para que a criança desenvolva hábitos alimentares saudáveis!

No entanto, da mesma forma que muitas mulheres não controlam a dieta após ficarem grávidas, e acabam abusando de alimentos nada saudáveis, outras restringem a alimentação durante a gestação, ignorando as recomendações médicas e priorizando costumes populares que foram se espalhando com o tempo e que vários estudos garantem que não passam de mitos.

“Em alguns países, acredita-se que comer pimenta pode deixar a criança com o temperamento forte. Em outros, que comer caracóis deixa o bebê preguiçoso. Muitas dessas lendas podem ser inofensivas, como a clássica ‘se não comer o que tiver com desejo, o bebê vai nascer com a cara do alimento’. Mas outras, contudo, podem até prejudicar a saúde da mãe e do bebê, pois aumentam o risco da mulher não ingerir vitaminas e nutrientes importantes para o desenvolvimento da criança nos 1.000 primeiros dias.”, destaca Carolina.

Alimentos nutritivos como mamão, abóbora, tomate, ovo e abacate, são excluídos das dietas das gestantes, simplesmente pela crença de serem alimentos “quentes” ou “frios”, que provocam essa ou aquela característica. Por isso, não se deve confiar cegamente em todos os conselhos que vêm acompanhados da frase “meu filho está aí saudável por causa disso; médico não sabe de nada”. É muito importante tirar todas as dúvidas com o médico para que a criança não sofra nenhuma deficiência de nutrientes durante a gestação.

“Se você está grávida ou deseja engravidar, procure um nutricionista especializado em gestantes para orientar a respeito da melhor dieta pra você e para o seu bebê. Considerando que grande parte do crescimento, bem-estar e saúde do bebê é promovida pelos nutrientes da mãe, cuidar da alimentação é uma das primeiras formas de carinho que você pode dedicar ao seu filho”, orienta a especialista.

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