quinta-feira, junho 20, 2024
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Epilepsia: fatores que reduzem o impacto na vida do paciente

Com 19 anos, Lucas teve sua primeira convulsão. Era um jovem saudável, inteligente, estudioso e muito bonito. Tudo mudou naquela noite, no horário em que ele poderia estar com os amigos em um barzinho, ou até mesmo namorando. Por sorte, estava em casa, na companhia dos pais, que viveram momentos de grande apreensão.

Ao acordar, Lucas não se lembrava de nada. Sentia somente um cansaço extremo, moleza, dores musculares e uma sensação de que algo errado havia acontecido. Foram várias consultas e exames até que se chegou ao diagnóstico: EPILEPSIA. Com ela, vieram a insegurança e o medo. “E se acontecer de novo? E se eu estiver dirigindo? Ou na escola, no ônibus, no futebol, na piscina? E se eu estiver sozinho?”.

Sua autoestima, antes tão elevada, de repente se foi. Ele não tinha mais confiança em si mesmo. Não conseguia se concentrar nos estudos. Questionou seus sonhos, suas metas. Se sentia impotente, envergonhado e solitário.

Lucas é um nome fictício, mas a história é real. A superação veio depois de muito tempo e não foi um caminho fácil. Medo e insegurança são sentimentos quase sempre presentes e muitas vezes levam a pessoa à depressão.

Descobrir a causa, diminuir os fatores desencadeantes e escolher a medicação com melhor resposta são etapas importantes para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com epilepsia e, com isso, reduzir o medo de uma nova crise.

A epilepsia é uma condição clínica crônica que apresenta múltiplas etiologias e é caracterizada por crises recorrentes. Elas são ocasionadas pela excitabilidade aumentada dos neurônios, que propicia uma alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral. Pode se manifestar de diferentes formas, tais como: contrações musculares, perda de consciência, queda, mordedura da língua, salivação excessiva, micção involuntária, entre outras.

Felizmente, diferentes exames estão disponíveis hoje para auxiliar no diagnóstico e auxiliar na definição do tratamento, como os exames genéticos e genômicos. O exoma – exame genômico que analisa toda a sequência codificante do material genético do indivíduo – é uma das principais escolhas para auxiliar no diagnóstico quando não há uma suspeita clínica clara. O médico pode ainda optar pela análise do gene isolado ou painel multigênico, no caso de uma suspeita específica.

Um teste farmacogenético para avaliar a resposta a remédios antiepiléticos também pode auxiliar o médico na escolha da melhor medicação para cada indivíduo, reduzindo a possibilidade do indivíduo tomar medicações que apresentem efeitos colaterais e sem ação ou que a ação seja reduzida.

O importante ressaltar é que pessoas com diagnóstico de epilepsia podem sim levar uma vida normal, desde que sigam o tratamento adequado e respeitem as orientações médicas que visam diminuir os fatores desencadeantes das crises. É preciso desmistificar a doença para tornar o caminho dos pacientes mais leve, seguro e promissor.

* Fernanda Soardi, assessora técnica em Genômica e Genética do Laboratório Lustosa
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