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“Pulmão artificial” salva vida de jovem de 14 anos com covid em BH

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“Quantas pessoas poderiam ter sido salvas se tivessem a oportunidade de passar pelo procedimento que a minha irmã passou?” Esse foi o questionamento de Josiany Francisca da Silva, consultora de vendas e irmã da paciente Eloisy Cristina dos Santos, estudante de 14 anos salva pela ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), terapia conhecida como “pulmão artificial”. Foi a primeira vez que o procedimento foi realizado em uma rede do SUS, em Minas Gerais, no tratamento da Covid-19. A jovem foi internada, em agosto, na Santa Casa BH, com um quadro respiratório grave. Para viabilizar o procedimento, a médica cardiointensivista Marina Fantini, diretora da ECMO Minas, empresa especializada na terapia, conta que uma verdadeira rede de solidariedade, envolvendo profissionais, empresas e instituições de saúde, foi criada para salvar a vida da estudante.

 

“Fomos procuradas pela equipe do hospital, quando foi indicada a ECMO para essa paciente. Diante da gravidade do quadro, iniciamos uma corrida contra o tempo, em um trabalho envolvendo um esforço multidisciplinar para salvá-la. Consegui uma empresa que realizou a doação do equipamento, membrana, cânula, descartáveis e também medicamentos. A ECMO Minas e a sua equipe multidisciplinar de médicos, cirurgiões e enfermeiros intensivistas doaram as horas de trabalho dos plantões. Todo o corpo clínico esteve muito empenhado e com muita vontade que tudo desse certo. Deu muito esperança ver a Eloisy sendo assistida pela ECMO, uma terapia de alta complexidade, com tecnologia de ponta, através do SUS”, comemora a especialista.

 

 

Segundo o médico intensivista Sérgio Luís Ramos Pimenta, do CTI Clínico Covid-19 da Santa Casa BH, a paciente foi submetida à ventilação mecânica e a todas as terapias habituais, aplicadas geralmente em quadros como esses. Mesmo assim, todos os procedimentos foram insuficientes e a ECMO foi indicada como último recurso. “Conseguimos implementar o tratamento graças ao esforço da doutora Marina Fantini e dos profissionais da ECMO Minas em parceria com a nossa equipe do hospital. A paciente apresentava um quadro de insuficiência renal aguda e também foi um marco para o nosso hospital colocá-la conjuntamente com a ECMO, em hemodiálise, com um equipamento também de primeira linha. Em apenas seis dias em ECMO, a paciente já foi apresentando melhora”, diz o médico. Ele conta ainda que, durante o tratamento, a jovem foi diagnosticada com a Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica (SIMP), doença rara associada à Covid, e foi tratada com imunoglobulina, “que é outro tratamento com custo alto, que também foi possível graças à mobilização da equipe da ECMO Minas”.

 

A irmã da paciente Eloisy relata que a realização da ECMO reacendeu suas esperanças, após ter ouvido inicialmente da equipe médica que, provavelmente, ela não sobreviveria. “Eu acho que essa terapia precisa estar disponível para todos os pacientes. Vivi isso com a minha família e outras vidas poderiam ter sido salvas se tivessem tido a mesma oportunidade de passar pelo procedimento que a minha irmã passou. Estamos muito felizes e agradecidos pelo cuidado e por todo o esforço da equipe médica”, diz.

 

 

Ministério da Saúde não incorporou o tratamento ao SUS
A portaria nº 1.327/2021, publicada no último dia 23 de junho, pelo Ministério da Saúde, definiu que a terapia ECMO (que vem sendo usada para salvar pacientes graves acometidos pela Covid-19) não terá cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde (Conitec), que avaliou a proposta, a terapia tem custos muito altos e o sistema de saúde público brasileiro ainda não dispõe de unidades suficientes e com infraestrutura para a instalação da ECMO.

 

A fundadora e diretora da ECMO Minas, Marina Fantini, discorda que o limitador financeiro seja a grande questão sobre a implementação: “Provamos que é possível organizar um time, buscar apoio da indústria e mobilizar doações. Eloisy ficou uma semana em ECMO e teve o melhor tratamento que poderia receber”. Criada nos EUA, há mais de 40 anos, a ECMO é indicada para pacientes, adultos ou pediátricos, com grave disfunção pulmonar ou cardiopulmonar. É uma forma de substituir o pulmão ou o coração quando eles não estão funcionando de forma adequada.

 

Especializada na terapia de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), também chamada de “pulmão ou coração artificial”, a empresa foi fundada em Belo Horizonte por três mulheres: a cardiologista pediátrica e intensivista Dra. Marina Pinheiro Rocha Fantini, a médica intensivista Dra. Ana Luiza Valle Martins e a enfermeira intensivista Izabela Cristina Fernandes Rodrigues. As profissionais, que foram pioneiras ao levarem o primeiro centro de tratamento de ECMO para a capital mineira, no Hospital Mater Dei, em 2019, estruturaram no mesmo ano a criação da ECMO Minas e, meses depois, com o início da pandemia de Covid-19, direcionaram seus esforços para salvar vidas de pacientes, em várias regiões do Brasil, com complicações respiratórias ou cardiorrespiratórias causadas pelo coronavírus.

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