Foi inaugurado no dia 18 de dezembro, em Belo Horizonte, um espaço multissensorial público e gratuito voltado prioritariamente para crianças autistas: o Parque Girassol. Integrado ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti, o projeto combina elementos lúdicos e recursos que podem apoiar atividades terapêuticas, em um ambiente acessível, democrático e totalmente inclusivo.
“Nosso compromisso era criar um espaço onde crianças autistas pudessem se sentir incluídas, seguras e acolhidas. Ao levar para o ambiente público estímulos que antes estavam restritos às clínicas, queremos promover saúde e reduzir barreiras que ainda limitam o acesso das famílias a vivências fundamentais para o desenvolvimento e a socialização. O Parque Girassol é aberto a todos e reflete o que acreditamos: inclusão se constrói na convivência diária, em ambientes que acolhem a diversidade sem segregar”, reforça Filipe Rosa, diretor da Ativa Inclusão.
Com cerca de 150 m², o Parque Girassol foi concebido para ampliar o acesso de crianças autistas e com outras necessidades, incluindo diferentes tipos de deficiência, como visual, auditiva e motora, a estímulos que contribuem para o aprendizado e o desenvolvimento de coordenação, autonomia e estímulos sensoriais ao ar livre. Entre os recursos instalados estão plataformas de movimento, painel sensorial, rota de equilíbrio e elementos de estímulos táteis.
Os equipamentos foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar formada por terapeutas ocupacionais, arquitetos, engenheiros, pais de crianças autistas e especialistas em acessibilidade. Eles podem ser usados de forma livre ou como apoio terapêutico, quando a atividade é conduzida junto ao profissional de terapia ocupacional. Além disso, todos os aparelhos contam com QR Codes que levam a tutoriais acessíveis com Libras, audiodescrição e legendas.
Mais do que oferecer estímulos para o desenvolvimento, o Parque Girassol propõe um ambiente de convivência que favorece a socialização e o processo de integração de crianças autistas nos espaços públicos. O espaço é aberto a todos e ajuda a promover interações naturais e trocas entre famílias atípicas e típicas, fortalecendo vínculos de acolhimento, reforçando o senso de comunidade e a convivência na diversidade em toda a sociedade.
O funcionamento é de terça a sábado, das 7h às 21h, e aos domingos, das 7h às 17h, com acesso permitido até meia hora antes do fechamento.
Investimento e expansão
Ainda em fase piloto, o projeto contou com um aporte de aproximadamente R$ 500 mil e foi idealizado e realizado pelo Instituto AMA e pela Ativa Inclusão. O parque também recebeu apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e da Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica para uso do espaço. A manutenção diária será realizada pelo município e a Ativa Inclusão oferecerá garantia técnica dos equipamentos no primeiro ano.
Há estudos para expandir o projeto para outras cidades brasileiras por meio de parcerias públicas e privadas. A iniciativa busca replicar um formato que apoia o desenvolvimento e a saúde de crianças autistas, fortalece a convivência entre famílias típicas e atípicas, e contribui para a construção de uma sociedade mais acolhedora.



