O aumento de casos suspeitos de intoxicação por metanol no Brasil acende um alerta para a população. O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com a substância pode causar cegueira permanente em poucas horas e, em situações mais graves, levar ao óbito.
Segundo a Neuroftalmologista, Dra. Tatiana Caixeta, médica do OCULARE Hospital de Oftalmologia, os primeiros sintomas surgem rapidamente e exigem atenção imediata. “O metanol é extremamente tóxico para o nervo óptico. Os pacientes podem apresentar dor abdominal, náuseas, tontura e, sobretudo, alterações visuais como visão turva, manchas no campo visual e até perda súbita da visão. O problema é que a neuropatia óptica tóxica causada por essa intoxicação é frequentemente irreversível. Por isso, diante de qualquer suspeita, é fundamental procurar atendimento médico com urgência”, explica a especialista.
As entidades médicas também reforçam a gravidade do problema. A Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (ABNO) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) emitiram comunicados oficiais destacando a necessidade de diagnóstico e tratamento imediatos. O protocolo clínico inclui medidas intensivas para reduzir os danos causados pela substância, mas a eficácia depende do tempo entre a ingestão e o início da assistência hospitalar.
A prevenção, segundo a Dra. Tatiana, é um ponto central para conter novos casos. “É essencial que a população evite bebidas de procedência duvidosa e só adquira produtos em estabelecimentos confiáveis”, recomendou.
O risco exige atenção redobrada. Os sintomas podem surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão da substância, e esse intervalo é decisivo: quanto mais rápido for iniciado o atendimento hospitalar, maiores são as chances de reduzir os danos graves e salvar vidas.
Nesse cenário, o Ministério da Saúde determinou a notificação imediata de todos os casos suspeitos de intoxicação por metanol no país, como forma de ampliar o monitoramento e orientar a rede hospitalar sobre os riscos.



