sábado, março 7, 2026
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Dados do Ministério da Saúde revelam que casos de hepatite B e C são predominantes em Minas

O Ministério da Saúde acaba de divulgar um boletim especial sobre os dados da hepatite no Brasil. Segundo o documento, divulgado neste mês de julho, a maior parte dos casos foi de hepatite C (41,5%) e hepatite B (36,6%), seguidas pelas hepatites A (21,2%), D (0,6%) e E (0,1%). Os dados reforçam a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção e diagnóstico precoce, especialmente diante do cenário global. De acordo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus B ou C em todo o mundo. No Brasil, estima-se que 45.959 óbitos por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D tenham ocorrido entre 2000 e 2024. Desses óbitos, 1,5% foram relacionados à hepatite viral A; 22,0% à hepatite B; 75,3% à hepatite C e 0,9% à hepatite D.

A distribuição dos casos no Brasil revela desigualdades regionais importantes: enquanto o Nordeste concentra quase 30% dos casos de hepatite A, os vírus B e C predominam no Sudeste, com destaque para Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de uma alta carga de hepatite D na região Norte (72,4% dos casos do tipo). A doença também impacta de forma significativa a mortalidade: quase 96 mil óbitos foram registrados com causas básicas ou associadas às hepatites virais nesse período, sendo 75,3% relacionados à hepatite C.

O cenário reforça a importância de campanhas educativas como a campanha nacional de conscientização e enfrentamento das hepatites virais, que mobiliza profissionais de saúde, instituições públicas e a sociedade para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, com foco na eliminação da doença como ameaça à saúde pública até 2030, meta pactuada globalmente pela OMS.

Apesar de silenciosas em grande parte dos casos, as hepatites virais — especialmente os tipos B e C — representam uma ameaça grave à saúde pública no Brasil. De acordo com o infectologista Dr. Cristiano Galvão, a infecção pode permanecer assintomática por anos, evoluindo para complicações como cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado. “Muitas pessoas só descobrem a doença quando já apresentam sinais de comprometimento avançado do fígado, como a icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos, ou sintomas como cansaço extremo, náuseas, perda de apetite e urina escura”, alerta o médico.

O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano, responsável por filtrar toxinas, metabolizar medicamentos e armazenar energia. Quando comprometido por uma infecção viral crônica, suas funções vitais ficam gravemente prejudicadas. Segundo o Dr. Galvão, a principal arma contra esse tipo de doença é o diagnóstico precoce, feito por meio de um simples exame de sangue.

A hepatite C, por exemplo, tem cura com medicamentos antivirais modernos disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já a hepatite B não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento contínuo.“A OMS recomenda pelo menos uma testagem ao longo da vida em adulto, especialmente se já teve histórico de transfusão sanguínea antes de 1993, procedimentos invasivos ou tatuagens feitas sem controle de biossegurança”, recomenda o especialista.

Além disso, Dr. Galvão ressalta que a vacinação contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo SUS, sendo uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

Outras formas de evitar a contaminação incluem:

  • Uso de preservativo em todas as relações sexuais.

  • Não compartilhar objetos perfurocortantes como alicates, lâminas de barbear ou seringas.

  • Ter atenção à esterilização de materiais em salões de beleza e estúdios de tatuagem.

Segundo o especialista, o tratamento é mais eficaz quando a infecção é identificada precocemente. Em casos graves, o fígado pode entrar em falência, exigindo transplante hepático e internação prolongada.“Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de evitar as complicações. A hepatite viral não escolhe classe social, idade ou orientação sexual. Todos estão sujeitos ao risco”, conclui Dr. Cristiano Galvão.

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