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Um a cada três caminhoneiros consome drogas e estimulantes

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Imagem de aleksandarlittlewolf no Freepik

O Brasil é o terceiro país com o maior número de mortes no trânsito em todo mundo, com 33 mil óbitos registrados por ano, atrás apenas da Índia e da China, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde de 2022. Para tentar frear essas estatísticas, durante o próximo mês, celebra-se o Maio Amarelo, com o objetivo de aumentar a conscientização para um trânsito mais seguro.  

 

Uma das estratégias adotadas para reduzir os acidentes de trânsito no Brasil foi a criação da “Lei dos Caminhoneiros” (Lei Federal nº 13.103/2015), que impôs a obrigatoriedade dos exames toxicológicos para a obtenção, renovação ou alteração da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas profissionais – categorias C, D ou E. Após a exigência do exame, houve uma redução de 35% nos acidentes envolvendo caminhões e 45%, em relação aos ônibus. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, porém, um a cada três caminhoneiros ainda consomem drogas e estimulantes, comprometendo a capacidade de dirigir com segurança. 

 

De acordo com o Dr. Márcio Nunes da Silva, patologista clínico e coordenador médico do São Marcos, marca pertencente a Dasa, maior rede de saúde integrada do Brasil, cerca de 75% dos exames toxicológicos positivos realizados pela marca, com a finalidade de detecção de drogas, identificam o uso de cocaína. Outras substâncias comumente detectadas são a maconha, anfetaminas, opiáceos (morfina e heroína) e benzodiazepínicos (medicamento muito usado para transtorno de ansiedade). 

 

Dr. Márcio explica ainda que os testes de triagem para uso de drogas podem ser feitos a partir de amostras de urina ou amostras do cabelo, barba ou outros pelos. Nos testes a partir das amostras de urina, as drogas utilizadas podem ser detectadas em 2 a 3 horas ou até em 5 dias após o uso. Já nos exames realizados em cabelo, barba ou outros pêlos, a janela de detecção é muito mais ampla, chegando a 90 dias. “Este exame é indicado para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas profissionais, enquanto aqueles realizados em urina podem ser feitos quando há suspeita de uso recente de drogas”, esclarece o médico.  

 

 

 

Ele ressalta que todas essas substâncias afetam o funcionamento do cérebro, aumentando o risco de acidentes fatais. “Podem prejudicar a capacidade para dirigir, por exemplo, ao retardar o tempo de reação e de processamento de informações, ao reduzir a coordenação perceptivo-motora e o desempenho motor, bem como a atenção, o monitoramento do trânsito e o controle do veículo, prejudicando a percepção de riscos e a capacidade de tomar decisões rápidas e adequadas durante a condução”,  alerta.  

 

O médico ainda ressalta que os exames toxicológicos são importantes para ajudar a identificar motoristas com problemas de dependência química, permitindo que eles recebam tratamento adequado, para que possam voltar a exercer a atividade sem influência das drogas e com mais segurança para todos. 

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